Général

BCA RSS Syndicator

Fesman2009

Criatividade, criadores e indústria criativa
A criatividade é o motor da vida de qualquer comunidade humana ; ela está, como princípio dinámico, no centro de toda cultura e civilização :

Não existe um povo sem cultura, sem história, sem criatividade. Esta se identifica com a imaginação e com o espírito de iniciativa que está na base da concepção e da produção de bens materiais e imateriais e que define a cultura de um povo. O Colóquio deverá ser a ocasião de:

i)     proceder a uma clarificação conceptual da noção de criatividade e de mostrar que esta nunca fez falta aos Africanos no decorrer dos séculos desde a antiguidade mais recuada.

ii)     identificar  as  grandes áreas nas quais esta criatividade se exprime, mas também os actores que a animam e as manisfestações  mais evidentes que a ilustram.

Distinguir-se-á cuidadosamente as três grandes áreas de criatividade que são :

i)    as ciências (lugar de acumulação dos conhecimentos indispensáveis para construir um espírito de civilização e para criar as instituições políticas, sociais e jurídicas que permitem viver em  harmonia com o seu contexto, em conformidade  com a ideia que se faz da felicidade).

ii)    as técnicas (conjunto dos know- how que permitem realizar os bens materiais necesssários à vida quotidiana dos indivíduos e das colectividades),

iii)    as artes (domínio do imaginário que possibilita a produção dos bens propriamente culturais susceptíveis de ilustrar o « génio » de um povo : literatura, artes plásticas ou gráficas, artes do espectáculo, artes culinárias etc).

Da identificação de áreas de criatividade resulta a tipologia dos criadores que são :

i)    gente do saber « intelectuais » no sentido largo (letrados e escolarizados de hoje mas também detentores dos saberes tradicionais: iniciados, sábios, velhos, griotes, curandeiros, especialistas da medicina e da farmacopeia tradicionais,etc)

ii)    gente de profissões « artesãos » em todos os domínios tradicionais (ferreiros, tecelões, pescadores, caçadores etc.) e modernos (sapateiros, marceneiros, pedreiros, garagistas, estanqueiros, etc,),

iii)    gente de cultura, « artistas » em todos os géneros (escritores,contistas, músicos, pintores, escultores,etc)

A questão das indústrias criativas consistirá em interrogar-se sobre a existência ou a falta de infra-estruturas oferecendo um quadro favorável ou não à criatividade em várias áreas.

Tratando-se por exemplo, das indústrias do livro, interrogar-se-ão sobre as condições de produção, de edição, de circulação, e de consumo do livro em África, no âmbito escolar como na vida quotidiana em que o livro se tornou um instrumento indispensável para a formação e a informação, em concorrência ou em complementaridade com outros médias que provém de outras tecnologias da informação e da comunicação (radiodifusão, televisão, telefonia, internet, etc.). Neste processo, o lugar das línguas africanas, instrumentos naturais de comunicação, de cultura e da criatividade deverá ser examinado.

O tema « Criatividade, criadores, e indústrias criativas », vai estar em conformidade com o tema geral do Festival, essencialmente, um momento de balanço, de avaliação e de prospecção ; uma oportunidade de afirmar de novo e com força a presença da África na história da humanidade e na vida do mundo globalizado de hoje ; uma oportunidade de manifestar um compromisso intelectual e político claro, de definir com precisão os eixos fortes que permitem mobilizar todas as energias com o fim de dar doravante à criatividade africana, uma visibilidade e uma legibilidade mais nítidas que pelo passsado ; uma oportunidade de sublinhar o laço entre educação e criatividade, de lembrar aos Estados membros a necessidade de valorizar a criatividade e os criadores nacionais fornecendo os meios susceptíveis de estimular a investigação e a inventividade (criação de um quadro favorável à criatividade e prémios de excelência) mas também promover o consumo das produções científicas, artesanais e artísticas africanas.