| Cantar em Goreia |
Ilha de Goreia, situada ao largo de Dakar: atualmente patrimônio da humanidade da UNESCO, abrigo de escravos no passado. Um segundo encontro após 1966, neste local de contraste onde se cruza um passado marcado pela tragédia de exploração humana com um futuro de reconciliação entre os diferentes povos, durante um concerto que será organizado no âmbito do Festival.Sob domínio português, holandês, inglês e francês, a ilha de Goreia conheceu diferentes tipos de culturas. Mas é sobretudo sob a escravatura, que durou quatro séculos, do XV ao XIX, que ela conheceu diferentes tipos de sofrimentos. Contudo, na serenidade que reina na ilha, reforçada pelo silêncio das ruas sem automóveis, a vivacidade das buganvílias e as cores ocre, rosa e amarela das fachadas das casas coloniais do séc. XVIII, é difícil acreditar que os goreanos tenham realmente sofrido no passado. Na verdade, apesar da abertura de espírito apreciável dos goreanos que faz com que atualmente vivam todos juntos (muçulmanos, cristãos, budistas e rastafarianos), sem distinção de raça, de etnia e de religião, a famosa “Casa dos Escravos” que se encontra na ilha é a melhor prova que os Outros não tiveram a mesma abertura de espírito para com eles. Segundo Boubacar Joseph Ndiaye, o mítico conservador responsável pela Casa dos Escravos na ilha de Goreia e símbolo da “memória da história do tráfico atlântico”, falecido em fevereiro de 2009, é preciso “lembrar-se do passado para reconstruir a dignidade”. É precisamente para esta ocasião, e para prestar homenagem a Ndiaye, que os descendentes de vários milhares de escravos que partiram de Goreia “entrarão em uma viagem sem volta” para voltar à sua ilha. Esta famosa porta de onde os escravos tentavam evadir-se e que separava os povos, desta vez, os reconciliará com um dueto emocionante entre Youssou N’Dour e um artista americano de renome. E pela segunda vez, após 1966, é na praia da ilha de Goreia que a música será a voz de um passado trágico que será certamente substituído por um futuro digno para os povos negros, como desejado por Ndiaye. |






Ilha de Goreia, situada ao largo de Dakar: atualmente patrimônio da humanidade da UNESCO, abrigo de escravos no passado. Um segundo encontro após 1966, neste local de contraste onde se cruza um passado marcado pela tragédia de exploração humana com um futuro de reconciliação entre os diferentes povos, durante um 