| A Diáspora africana e a sua conexão com a África |
Mais do que um conjunto de pessoas de origem africana vivendo fora de África, a Diáspora africana representa uma esperança para o desenvolvimento do continente. Mas quem são elas, essas pessoas que estão criando a diáspora africana? Onde vivem? Qual é a sua contribuição para a África? É esse tipo de perguntas que animarão o seminário organizado sobre o tema de “Renascimento africano, diversidade cultural e unidade africana” no âmbito do FESMAN.De acordo com Ferdinand Mayega, um jornalista com origem na diáspora africana no Canadá, “a Diáspora africana deve ajudar a promover a ética, a integridade, a responsabilidade, o respeito pelas leis e regras, o respeito dos direitos dos outros cidadãos, o amor pelo trabalho, o esforço de aprender e o investimento na África, a vontade de fazer bem, a pontualidade, o amor pelo seu continente e a vontade de viver em paz." Para compreender melhor as palavras de Mayega, em primeiro lugar é conveniente definir o termo "diáspora". A palavra "diáspora" deriva do grego "sporo" que significa a "semente" e "speira" que significa "semear". Este termo, que foi durante muito tempo usado para nomear a dispersão dos judeus na Antiguidade, designa atualmente o conjunto dos membros de uma comunidade, dispersos por vários países. A Diáspora africana é uma das maiores diásporas dos tempos pré-modernos. Ela designa a população que resulta da deportação dos africanos da época do tráfico escravagista do século XVI ao século XIX e dos seus descendentes pelo mundo. Porém, as numerosas dificuldades socioeconômicas que os países africanos enfrentam e que provocam a fuga de sábios e intelectuais, a partida dos esportistas, a imigração clandestina e o exílio das pessoas qualificadas, são outros fatores importantes que contribuem para o alargamento desta diáspora. Os africanos que foram deportados ou que migraram para diferentes partes do mundo constituem aquilo que denominamos as "Diásporas africanas". De acordo com as estimativas da União Africana, em 2007, estas diásporas reagrupam aproximadamente 112,6 milhões de pessoas na América do Sul (principalmente no Brasil, na Colômbia e na Venezuela), 39,2 milhões de pessoas na América do Norte (Estados Unidos e Canadá), 13,5 milhões de pessoas no Caribe e uns 3,5 milhões de pessoas na Europa (essencialmente na França). Na definição que dá à Diáspora africana, a UA insiste na contribuição desta "para o desenvolvimento do continente africano e para a construção da União Africana”. Realmente, a diáspora africana desempenha um papel indispensável para a África. De acordo com muitos peritos, a ajuda de algumas diásporas africanas para o seu país de origem é consideravelmente superior à ajuda pública para o desenvolvimento. De acordo com um relatório do Banco Mundial de 2005, os africanos que residem fora do continente reinjetam todos os anos 4 a 6 bilhões de dólares na África subsariana, através das transferências de fundos. Quando da Conferência Consultiva regional para a Diáspora Africana na Europa, que teve lugar em Paris, nos dias 11 e 12 de setembro de 2007, o ministro de negócios estrangeiros da República da África do Sul, Dr. Nkosazana Dlamini Zuma, enfatizava a sua vontade de reunir a África e a sua diáspora da seguinte maneira: “Um dos elementos cruciais da nossa busca da reunificação da África e da sua Diáspora é a necessidade de reconhecer e aceitar a nossa diversidade como africanos, pela mesma razão como nós podemos aderir à busca de uma maior unidade. A África é grande e compreende vários países, nações, nacionalidades, religiões, tribos e desafios". Este desejo de reunificação reagrupará os intelectuais de África e da Diáspora, que debaterão a contribuição desta última para o continente durante o seminário do FESMAN. |






Mais do que um conjunto de pessoas de origem africana vivendo fora de África, a Diáspora africana representa uma esperança para o desenvolvimento do continente. Mas quem são elas, essas pessoas que estão criando a diáspora africana? Onde vivem? Qual é a sua contribuição para a África? É esse tipo de perguntas que animarão o seminário organizado sobre o tema de “Renascimento africano, diversidade cultural e unidade africana” no âmbito do FESMAN.