| Os Estados Unidos da África: utopia ou realidade? |
De acordo com Djibril Diop, um pós-doutorando no CÉRIUM, "a África, continente jovem pela sua população, rico pelos seus recursos e potencialidades, não pode continuar se parecendo a um homem velho com uma só perna. (...) a África tem que acordar”. É esta idéia de renascimento que foi o motor de uma longa caminhada para os países africanos, da implementação da Organização da Unidade Africana em 1963, renomeada posteriormente de União Africana, à vontade de criar um Governo da União Africana para chegar aos Estados Unidos da África. Atualmente, entre a recusa de alguns países africanos de renunciar à sua soberania e ao ideal pan-africanista, o sonho e a realidade, o projeto dos Estados Unidos da África continua a ser o debate mais espinhoso para a União Africana entre os federalistas e os gradualistas.Uma África forte, solidária e próspera… Esse era o sonho do escritor jamaicano Marcus Garvey, em 1924, e o combate dos intelectuais pan-africanistas como William Edward Burghardt Du Bois, Patrice Lumumba, George Padmore, Jomo Kenyatta e, especialmente, Kwame Nkrumah, desde 1945, sonho e combate concretizados em conjunto sob o nome do projeto dos "Estados Unidos da África". Relançado em 2000, em Lomé, pelo coronel Mouammar Kadhafi, dirigente da Líbia, a idéia dos Estados Unidos da África coloca-se finalmente na ordem do dia da 9.ª cúpula da UA, realizada em Acra, de 1 a 3 de julho de 2007. Um projeto que o Presidente da Comissão da UA na altura, Alpha Oumar Konaré, qualifica de “batalha” sendo a "única capaz de dar resposta aos mil problemas das populações africanas”. A realização do projeto dos Estados Unidos da África permitiria a criação de um Estado federal africano novo que cobriria 30.065.000 km2 e contaria com uma população total calculada em mais de 800 milhões de habitantes. De acordo com Kadhafi, "o modelo democrático e pluripartidário só trouxe o caos à África. Mas, o progresso do continente negro para um governo federal traz um raio de esperança”. Uma África unida que falaria a uma só voz teria efetivamente mais peso e estaria em uma situação de força nas suas relações com o resto do mundo. Por outro lado, ao criar uma força militar africana conjunta, uma moeda única africana e um passaporte africano que permitam a livre circulação na África daqueles que têm nacionalidade de todos os países africanos, o projeto dos Estados Unidos da África é suscetível de resolver o problema dos “micronacionalismos que são a ferida do continente africano” como disse o presidente senegalês Abdoulaye Wade. Mais que um projeto político que dotaria o continente de um executivo operacional, os Estados Unidos da África exprimem a vontade dos diferentes povos da África para construir uma identidade africana em torno de um pedestal dos valores comuns. Apesar das vantagens óbvias do projeto, a maioria dos dirigentes africanos expressa, porém, a sua reticência em relação a este assunto; enquanto que para os defensores do projeto, a implementação de um governo e instituições centrais africanas é o melhor meio para ajudar o continente a resolver os conflitos internos sem interferência ocidental, a lutar contra a pobreza e a enfrentar os desafios de globalização, os detratores da iniciativa ou partidários de uma aproximação "gradual" da integração consideram que a implementação de um tal projeto é prematura e precipitada. Embora as opiniões divirjam quanto ao grau de rapidez do processo de edificação dos Estados Unidos da África, uma coisa é certa: este constitui uma fase fundamental para um real desenvolvimento de África na era da globalização. Finalmente, é exatamente para analisar melhor as grandes apostas do projeto dos Estados Unidos da África que várias questões fundamentais, como o pan-africanismo e o renascimento africano, serão debatidos nas conferências do FESMAN 2009. |






De acordo com Djibril Diop, um pós-doutorando no CÉRIUM, "a África, continente jovem pela sua população, rico pelos seus recursos e potencialidades, não pode continuar se parecendo a um homem velho com uma só perna. (...) a África tem que acordar”. É esta idéia de renascimento que foi o motor de uma longa caminhada para os países africanos, da implementação da Organização da Unidade Africana em 1963, renomeada posteriormente de União Africana, à vontade de criar um Governo da União Africana para chegar aos Estados Unidos da África. Atualmente, entre a recusa de alguns países africanos de renunciar à sua soberania e ao ideal pan-africanista, o sonho e a realidade, o projeto dos Estados Unidos da África continua a ser o debate mais espinhoso para a União Africana entre os federalistas e os gradualistas.