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Fesman2009

Cinema

cinemaO cinema afro-americano é o mais antigo e o mais popular. O primeiro longa metragem afro-americano foi filmado em 1918 sob a direção de John Nobel e chama-se Birth of a race. Este filme fundador de uma consciência racial é uma resposta para as alegações racistas do filme Nascimento de uma Nação de D.W. Griffith. A história do cinema afro-americano é salpicada de numerosas correntes (Race movie, Blaxploitation, Filme de violência étnica), cuja popularidade contribuiu a incorporação de estrelas negras em Hollywood. (Denzel Washington, Forest Whitaker…).

O cinema afro-brasileiro é bastante jovem e conta com um número reduzido de diretores entre os quais os pioneiros Haroldo Costa e Odilon Lopes. Nos anos 60, o cinema novo, e mais tarde as novelas permitiram a atores negros que eles adquirissem o status de estrelas nacionais (Ruth de Souza, Antonio Pitanga, Vladir Onofre…), os quais vieram se juntar com o célebre Grande Otelo que começou sua carreira nos anos 40.

Em 1966, Sembène Ousmane acaba a filmagem do primeiro longa metragem da África negra francófona. Este filme intitulado La noire de foi um verdadeiro acontecimento. Laureado com o prêmio do cinema durante o primeiro Festival Mundial das Artes Negras, ele foi premiado ao mesmo tempo na França (Semana da crítica do Festival de Cannes, Prêmio Jean Vigo) e na África (Grande Prêmio do 1° Festival do Filme de Carthage). Posteriormente, vários cineastas da África negra e afro-descendentes foram premiados nos festivais, os mais prestigiados da Europa. Entre eles podemos citar: Gaston Kaboré (Premiado com o César francófono); Souleymane Cissé (Prêmio do Júri em Cannes); Idrissa Ouédraogo (Grande Prêmio do Júri em Cannes); e também Euzhan Palcy (Leão de prata e Prêmio de Interpretação Feminina do Festival de Veneza). Todos estes filmes premiados fizeram que enchessem as salas de cinema, apesar do escasso orçamento da produção. Rue cases nègres totaliza, por exemplo, mais de um milhão de entradas na França.

Embora não haja indústria cinematográfica, a África continua fazendo filmes e a nova geração garante a continuidade Um grande número de novos cineastas africanos explora a realidade das grandes cidades africanas contemporâneas. O Fespaco que desde 1969 se realiza cada 2 anos no Burkina Faso, e os numerosos festivais consagrados à cinematografia africana (“Vues d’Afriques” no Québec, “Festival de Angers” na França, “Festival de Filme Panafricano” em Los Angeles…) testemunham de sua vitalidade.

Fesman 2009

O concurso do FESMAN 2009 será uma oportunidade para identificar a criatividade dos jovens diretores e artistas do audiovisual negros, procedentes tanto da África como da diáspora. Estes serão apresentados por país e vão competir para os prêmios de incentivo que o Fesman lhes concederá para ajudá-los na realização da sua próxima criação audiovisual.

Os artistas convidados podem propor e participar nas projeções no telão de grandes clássicos do cinema negro. Estas projeções serão seguidas de um debate na presença de especialistas e de membros da equipe do filme. Apesar de reservarmos um lugar de honra ao cinema afro americano, todos os cinemas do mundo negro (africano, antilhês, brasileiro, indígenas da Austrália, americano…) terão os mesmos direitos. Isto nos parece fundamental num momento oportuno em que Hollywood fixa seu olhar para a África com filmes tais como: A Luta pela Liberdade, O Último Rei da Escócia ou Diamante de Sangue. Também serão realizados estágios, oficinas, de modo a estimular vocações entre o público jovem.