| Aimé Césaire |
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No movimento literário da negritude, que começa nas letras francesas, em 1921, com o romance Batouala, verdadeiro romance negro de René Maran (Albin Michel, Prêmio Goncourt, 1921) e que se encerra com as independências africana e malgaxe em 1960, Aimé Césaire faz o personagem do Papa. Este inventor do neologismo “negritude” foi, efetivamente, o guardião inconteste do templo literário da negritude onde Léopold Sédar Senghor foi o grande teórico. Senghor, que considerou Césaire como seu "mais que um amigo", publicou, em 1948, a Antologia da nova poesia negra e malgaxe (Presses Universitaires de France) que viria a ser um manifesto da negritude poética. Dezesseis poetas negros originários de diferentes regiões do império colonial francês figuravam desta antologia-manifesto: o guiano Léon-Gontran Damas (1912-1978); os martinicanos Gilbert Gratiant (1901-1985), Etienne Léro (1909-1939) e Aimé Césaire (1913-2008); os guadalupenses Guy Tirolien (1917-1988) e Paul Niger (1917-1962); os haitianos Léon Laleau (1892-1979), Jacques Roumain (1907-1944), Jean-Fernand Brière (1909-1992) e René Bélance (1915-2004), os senegaleses Birago Diop (1906-1989), Léopold Sédar Senghor (1906-2001) e David Diop (1927-1960); e os malgaxes Jean-Joseph Rabearivelo (1901-1937), Jacques Rabemananjara (1913-2005) e Flavien Ranaivo (1914-1999). Em seguida, eles são agrupados pelos poetas da negritude da geração dos anos 50, a saber, o marfinês Bernard Dadié, o congolês Martial Sinda, o guineano Keïta Fodéba, o camaronês Elongué Epanya Yondo, o beniano Paulin Joachim, o senegalês Lamine Diakhaté e alguns outros. Quando do início dos primeiros preparativos do FESMAN, Aimé Césaire era o último sobrevivente dos poetas revoltados da negritude da geração dos anos 40. É totalmente natural que este defensor da raça negra (desvalorizada pela escravatura e pela colonização) e humanista seja escolhido para apoiar o FESMAN 2009. Este foi o desejo humilde do Presidente Abdoulaye Wade, que tinha programado fazer um grande passeio pelo Caribe com uma escala preferencial e de honra na Martinica para rever Aimé Césaire, que havia encontrado pela primeira vez em 1956, quando do 1º Congresso de Intelectuais e Artistas Negros organizado na Sorbonne pela Associação Africana de Cultura, dirigida por Alioune Diop. Aimé Césaire ficou encantado por apoiar o III FESMAN que, em nível de cultura, é uma pequena pedra lançada no imenso jardim da construção dos Estados Unidos da África. Mas o destino decidiu de outra forma, e o baobá martiniquês se juntou aos bons, não sem antes ter recebido uma delegação do FESMAN chefiada por Alioune Badara Beye. No plano literário, espera-se que o Livro de retorno ao país natal (da revista Volontés, 1939) seja uma pujante defesa cesariana por uma Martinica livre das escórias de escravatura e a afirmação de sua identidade recuperada e unida à mãe África. E, assim, aquele que André Breton (o Papa do surrealismo) considera um grande poeta negro surrealista, escreveu em 1939 no Livro sobre o retorno ao país natal: «Et elle est debout la négraille / la négraille assise, inattendument debout/ debout dans la cale / debout dans les cabines / debout sur le pont / debout dans le vent/ debout sous le soleil/ debout dans le sang /debout et libre […] et le grand trou noir où je voulais me noyer l’autre lune c’ est là que je veux pêcher maintenant la langue maléfique de la nuit en son immobile verrition!» (Direitos Autorais pertencentes à Présence Africaine Editions, 1956). Este inventor de palavras carregadas considerava-as como as "armas miraculosas" para se reinventar um mundo novo. Aimé Césaire construiu uma sólida ponte, muito útil atualmente, entre a diáspora das Antilhas e a mãe África antes negada e enfim viva novamente. Seu discurso fraternal é cópia de um violento discurso anticolonialista para liberar o povo negro do jugo colonial francês. Nele os homens de boa vontade estão cientes da preferência por seu engajamento a serviço dos oprimidos do mundo inteiro, porque o particular nutre sempre o geral. Bibliografia indicativa Poesia* Cahier d'un retour au pays natal, Revue Volontés n°20, 1939, Pierre Bordas 1947, Présence africaine, Paris, 1956. |







